Publicação de pesquisa

Ciência, território e política pública no Brasil

A Mandioca reúne investigações que atravessam campos do conhecimento — da agroecologia à epidemiologia urbana, da matriz energética à governança local — com o compromisso de traduzir evidências em narrativas compreensíveis, sem sacrificar a precisão conceitual.

Ilustração editorial representando pesquisa e análise

O Brasil contemporâneo exige formas de comunicação que respeitem a complexidade dos fenômenos sociais e ambientais. Políticas agrícolas, sistemas de saúde em periferias metropolitanas e a transição para fontes renováveis de energia não são assuntos isolados: eles se entrelaçam em redes de causa e efeito que atravessam décadas de planejamento, conflitos fundiários e disputas por recursos naturais.

Nesta publicação, adotamos uma postura analítica inspirada nas melhores tradições do jornalismo de investigação e da divulgação científica. Cada texto parte de revisão bibliográfica, entrevistas com especialistas e, quando disponível, dados abertos produzidos por órgãos públicos. Não buscamos consenso artificial: apresentamos controvérsias metodológicas, limitações de amostragem e incertezas que permeiam qualquer trabalho empírico sério.

A escolha do nome Mandioca não é ornamental. A mandioca — ou aipim, macaxeira, dependendo da região — é alimento-base, matéria-prima industrial e símbolo de resistência cultural. Cultivada por povos originários e posteriormente incorporada à dieta nacional, ela sintetiza a ideia de sustentar, de alimentar debates com substância. Assim pretende operar esta revista digital: como um alimento intelectual de digestão lenta, que convida à reflexão prolongada.

Nosso público inclui pesquisadores em formação, gestores públicos, profissionais de ONGs e leitores atentos que desejam compreender o país além das manchetes imediatas. Por isso privilegiamos textos com estrutura clara — sumários, citações identificadas, notas de rodapé quando necessário — e evitamos o sensacionalismo que frequentemente distorce discussões técnicas em redes sociais.

A pauta inaugural desta edição concentra-se em três eixos. Primeiro, a agroecologia como paradigma alternativo ao modelo hegemônico de produção agrícola, examinando experiências de assentamentos e redes de agricultores familiares no Centro-Oeste e no Nordeste. Segundo, a qualidade e a disponibilidade de dados de saúde pública em favelas cariocas e paulistanas, tema que ganhou urgência após a pandemia de COVID-19 revelar lacunas estruturais nos sistemas de vigilância. Terceiro, o ritmo e as barreiras da transição energética brasileira, à luz de metas internacionais e da realidade do mix elétrico nacional.

Convidamos o leitor a percorrer os artigos numerados abaixo. Os três primeiros são reportagens completas; os dois últimos antecipam investigações em curso, cujos resultados preliminares serão publicados nas próximas semanas. Para sugestões de pauta, críticas metodológicas ou propostas de colaboração, escreva para [email protected].

Publicamos com periodicidade quinzenal, priorizando profundidade sobre volume. Cada edição passa por revisão interna e, quando o tema exige, por parecer de especialista externo antes de ir ao ar. Agradecemos a leitura atenta.

  1. Agroecologia · 12 de junho

    Redes de conhecimento agroecológico no Cerrado: o que dizem dez anos de monitoramento

    Levantamento em 47 assentamentos do MATOPIBA indica ganhos de biodiversidade e renda, mas aponta fragilidades na articulação com políticas de crédito rural.

  2. Saúde pública · 10 de junho

    Dados invisíveis: vigilância epidemiológica nas favelas do Rio e de São Paulo

    Análise comparativa de bases municipais revela subnotificação sistemática e heterogeneidade na cobertura de testagem em territórios de alta densidade.

  3. Energia · 8 de junho

    Além da hidrelétrica: gargalos da transição renovável no Sistema Interligado Nacional

    Especialistas debatem capacidade de transmissão, armazenamento e marco regulatório diante da meta de neutralidade de carbono até 2050.

  4. Em breve · Agricultura urbana

    Hortas comunitárias e segurança alimentar na periferia de Belo Horizonte

    Investigação em andamento mapeia 120 iniciativas e avalia impacto nutricional em domicílios participantes. Publicação prevista para julho.

  5. Em breve · Clima

    Secas no semiárido: adaptação climática e políticas de cisternas revisitadas

    Revisão crítica do Programa Água para Todos à luz de dados de precipitação dos últimos quinze anos. Texto em revisão por pares internos.